O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado, 2, que está analisando uma nova proposta iraniana para encerrar a guerra, mas também expressou ceticismo de que ela levaria a um acordo.
“Falarei com vocês sobre isso mais tarde”, disse o presidente, antes de embarcar no Air Force One, acrescentando que “eles vão me dar a redação exata agora”.
Pouco depois de falar com os repórteres, Trump publicou nas redes sociais sobre a nova proposta, dizendo que “não consegue imaginar que seja aceitável, visto que eles ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”.
Dois meios de comunicação semioficiais iranianos, Tasnim e Fars, considerados próximos à Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, disseram que o Irã enviou uma proposta de 14 pontos por meio do Paquistão, em resposta a uma proposta de nove pontos dos Estados Unidos. O Paquistão já havia sediado negociações anteriores entre o Irã e os Estados Unidos.
Trump rejeitou uma proposta iraniana anterior esta semana. No entanto, as conversas continuaram, e o cessar-fogo de três semanas parece estar se mantendo.
O presidente dos EUA também apresentou um novo plano para reabrir o Estreito de Ormuz, na foz do Golfo Pérsico, por onde normalmente passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural.
A saúde da ativista iraniana presa piora
A saúde da advogada de direitos humanos iraniana presa, Narges Mohammadi, estava em “risco muito alto”, disseram sua fundação e sua família neste sábado, 2, acrescentando que o Ministério da Inteligência do Irã estava se opondo à sua transferência para Teerã, a capital do país, para tratamento com seus próprios médicos.
Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e com pouco mais de 50 anos, foi transferida com urgência para um hospital em Zanjan, no noroeste do Irã, na sexta-feira, 1.º, após uma crise cardíaca e desmaio. Sua família disse que sua saúde vinha piorando, em parte devido a uma surra que ela recebeu durante sua prisão em dezembro.
As equipes médicas em Zanjan solicitaram seus prontuários antes de realizar qualquer tratamento, ao mesmo tempo em que recomendaram que ela fosse transferida para Teerã, informou sua fundação.
Mas seu marido, Taghi Rahmani, que vive em Paris, disse que o Ministério da Inteligência se opôs à transferência para a realização de uma angiografia, ou exame de imagem dos vasos sanguíneos. Ele falou em uma mensagem de voz compartilhada com a Associated Press pela fundação.
Em comunicado, o Comitê Norueguês do Nobel instou as autoridades iranianas a transferirem Mohammadi imediatamente para sua equipe médica, afirmando que a vida dela ‘está em suas mãos’.
“Ela tem resiliência mental para a prisão, mas seu corpo não tem preparo. O Ministério da Inteligência não se importaria nem um pouco se (ela) morresse”, disse o marido à Sky News.
Ele acrescentou que os filhos do casal não viam Mohammadi há mais de uma década, desde 2015.
Antes de sua prisão em 12 de dezembro, Mohammadi já estava cumprindo uma pena de 13 anos e nove meses por acusações de conluio contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo do Irã, mas estava em liberdade condicional desde o final de 2024 devido a problemas de saúde.
Sua equipe jurídica está acompanhando o caso junto ao Ministério Público Geral, informou a fundação.
Os EUA alertam companhias marítimas sobre possíveis sanções
Os Estados Unidos alertaram as companhias marítimas de que poderiam enfrentar sanções por pagar ao Irã para passar com segurança pelo Estreito de Ormuz, aumentando a pressão no impasse pelo controle da região.
O Irã efetivamente fechou o estreito ao atacar e ameaçar navios depois que os EUA e Israel iniciaram uma guerra em 28 de fevereiro. Teerã ofereceu posteriormente a alguns navios passagem segura por rotas mais próximas à sua costa, cobrando taxas em alguns momentos.
Na sexta-feira, os EUA alertaram contra transferências não apenas em dinheiro, mas também em “ativos digitais, compensações, swaps informais ou outros pagamentos em espécie”, incluindo doações de caridade e pagamentos em embaixadas iranianas.
Desde 13 de abril, os EUA responderam com um bloqueio naval aos portos iranianos, privando Teerã da receita do petróleo necessária para sustentar sua economia em crise. O Comando Central dos EUA informou no sábado que 48 navios comerciais foram orientados a dar meia-volta.
Irã enforca dois homens condenados por espionar para Israel
O Irã disse no sábado que enforcou dois homens condenados por espionagem para Israel.
O portal de notícias do Judiciário, Mizanonline, informou que Yaghoub Karimpour foi acusado de enviar “informações confidenciais” a um oficial da agência de inteligência de Israel, a Mossad, enquanto Nasser Bekrzadeh supostamente enviou detalhes sobre líderes governamentais e religiosos, bem como informações sobre Natanz. A cidade abriga uma instalação de enriquecimento nuclear bombardeada por Israel e pelos EUA no ano passado.
Nas últimas semanas, o Irã enforcou mais de uma dezena de pessoas por suposta espionagem e atividades terroristas. Grupos de direitos humanos afirmam que o Irã realiza rotineiramente julgamentos a portas fechadas, nos quais os réus não conseguem contestar as acusações que enfrentam.




